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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

CONVERSÃO EM CURSO DE GRANDES GRUPOS ANGLICANOS

La Salette e a conversão em curso de grandes grupos de anglicanos



Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Cardiff, outubro de 2009
Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Cardiff, outubro de 2009
Quando Maximin redigiu seu Segredo em 1851 escreveu: “um grande país no norte da Europa, hoje protestante, se converterá. Pelo apoio desta nação todos os outros países se converterão”.

Na redação de seu Segredo feita 
em 1853 Maximin registrou que esse país protestante seria a Inglaterra.

Dita conversão seria um dos sinais da proximidade dos terríveis castigos que purificariam o mundo preparando o advento do Reino de Maria.

Esta previsão adquiriu cogente atualidade após a notícia oficial que a Igreja Católica se apresta a receber grandes blocos de anglicanos ‒ sobre tudo ingleses ‒ agastados com a nomeação de “sacerdotisas”, “bispos” e “bispas” homossexuais.

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Lancaster, outubro de 2009
Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Lancaster, outubro de 2009

As notícias da mídia inglesa especulam que poderiam ser milhões.

Entre eles tal vez 30-50 “bispos” e 1.000 “sacerdotes” (os anglicanos não têm o sacramento da Ordem, e esses títulos não têm o significado que têm no Catolicismo).

Para o influente diário de Londres “The Times”, no fim do processo a igreja anglicana poderia ficar reduzida a uma insignificância residual.

O fato tem projeção política, social e cultural. O anglicanismo é religião oficial de Estado e a rainha Elisabeth II é a chefe nominal dele.

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Darlington, outubro de 2009
Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Darlington, outubro de 2009
Uma lei proíbe os católicos herdarem o trono.

Porém, houve casos recentes de príncipes e princesas da casa real inglesa que se tornaram católicos.

Segundo boatos nunca confirmados, mas também nunca infirmados, a rainha teria, ela própria, ocultas simpatias pelo catolicismo e participa do desgosto de inúmeros anglicanos com a decomposição moral do “clero” dessa denominação.

Há sérias iniciativas parlamentares visando remover a lei que proíbe um príncipe católico herdar o trono.

A passagem em massa de anglicanos para o catolicismo fez lembrar não só La Salette mas outras profecias particulares relativas à conversão da Inglaterra.

A visão de São Domingos Sávio

Além do segredo de La Salette a mais famosa é o “sonho” de São Domingos Sávio. Em verdade, tratou-se de um êxtase que o menino santo chamou de “distração”.

Este “sonho” é especialmente digno de nota, pois envolve também a São João Bosco e ao Beato Pio IX.

A vida e a obra dos três foi objeto dos severos crivos dos processos de beatificação e canonização. Neles, escritos e falas dos três foram analisados com lupa pelos advogados vaticanos que os declararam isentos de todo erro contra a fé ou contra a moral.

A visão num êxtase de São Domingos Sávio foi descrita pelo próprio São João Bosco no capítulo XX do livro “Vita del giovanetto Savio Domenico” (“Vida do jovem Domingos Sávio”) .

Don Bosco conta que estando perto de São Domingos Sávio agonizante perguntou-lhe o que ele diria ao Papa se pudesse falar-lhe. De ali nasceu o seguinte diálogo entre os dois santos:

“‒ Se eu pudesse falar ao Papa, quereria lhe dizer que em meio às tribulações que o aguardam não deixe de trabalhar com especial solicitude pela Inglaterra; Deus prepara um grande triunfo do catolicismo naquele reino.

“‒ No que é que V. baseia essas palavras?

“‒ Vou contar-lhe, mas não mencione isso aos outros, pois podem achar ridículo. Mas se o Sr. vai a Roma, diga-o a Pio IX por mim. (...)

“Certa manhã, durante minha ação de graças após a comunhão, voltei a ter uma distração, que me pareceu estranha; eu achei ver uma grande parte de um país envolvida em grossas brumas, e estava cheia com uma multidão de pessoas. Estavam se movendo, mas como homens que, tendo perdido seu caminho, não estavam certos onde pisavam.

“Alguém próximo disse: ‘Esta é a Inglaterra.’ 

“Eu estava para fazer algumas perguntas a respeito disso quando vi Sua Santidade Pio IX, representado da mesma maneira que vi nas figuras.

“Ele estava majestosamente vestido, e estava carregando uma tocha brilhante com a qual ele se aproximou da multidão, como que para iluminar sua escuridão.

“À medida que se aproximava, a luz da tocha parecia dispersar a névoa, e as pessoas foram trazidas à plena luz do dia.

“Esta tocha,” disse meu informante, “é a religião Católica que está para iluminar a Inglaterra”.

No Boletim Salesiano (Turim, abril de 1924, nº 4), ainda encontramos as seguintes confidências ouvidas por São João Bosco da boca do menino santo:

‒ “Quantas almas aguardam nossa ajuda na Inglaterra! Oh se eu tivesse força e virtude, quereria ir para lá aqui na hora e conquistá-las todas para o Senhor com pregações e com o bom exemplo”.

No mesmo boletim (1° de março de 1950, nº 5), ainda lemos:

“No dia seguinte, ele fez todos os exercícios pela boa morte, despediu-se dos companheiros, um por um, pagou uma dívida de dois tostões que tinha com um deles, falou aos sócios da Companhia da Imaculada, e por fim saudou a Don Bosco dizendo:


‒ “O Sr. indo a Roma lembre do recado para o Papa pela Inglaterra. Reze por mim para que eu possa ter uma boa morte e adeus até o Paraíso...”

Don Bosco cumpriu o combinado, e assim narrou:

“No ano de 1858 quando eu fui a Roma, contei essas coisas ao Sumo Pontífice, que ouviu com bondade e aprazimento.

“‒  Isto, disse o Papa, me confirma no propósito de trabalhar energicamente em favor da Inglaterra, pela qual eu já engajo as minhas mais vivas solicitudes. Esse relato, para não dizer mais, chega-me como o conselho de uma boa alma.”
__________________

E São Domingos Sávio não foi nem o único nem o primeiro santo que recebeu luzes proféticas sobre a conversão futura da Inglaterra e dos grandes fatos que adviriam em consequência do retorno inglês à Fé católica, única verdadeira.


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terça-feira, 20 de agosto de 2013

DOUTRINAS PERVERSAS PROTESTANTES


Todo o sistema de moralidade e fé foi contrariado. Aboliram totalmente a Tradição, e apesar de não poderem rejeitar toda a Escritura, universalmente conhecida como Palavra de Deus, eles tiveram, contudo, a presunção de retirar alguns livros que não se adequavam às suas doutrinas, e os demais fizeram das suas para se adequarem às suas opiniões. 

Com piedade de alma, eles prometiam retornar ao fervor do cristianismo primitivo. Aos orgulhosos, a liberdade do julgamento privado. Aos inimigos do clero, prometeram a divisão de seus bens. Aos padres e monges que se viam cansados da continência, a abolição da lei que, diziam eles, era contrária à natureza. Aos libertinos de todas as classes, o fim do jejum, da abstinência e da confissão. Diziam aos reis que quisessem se colocar como chefes da Igreja assim como eram chefes do Estado, que deveriam ser livres da autoridade espiritual da Igreja. Aos nobres, que deveriam ser emancipados de todos os formais e forçados serviços.




"Os mandamentos de Deus são igualmente impossíveis" (De Lib. Christ., t. ii, fol 4). 


"O pecado não condena o homem, mas somente a incredulidade" (De Captiv. Bab., t. ii., fol. 171). 

"Deus é justo, ainda que pela sua própria vontade Ele nos coloca sob a condição de condenados, e apesar de condenar ao inferno aqueles que não o merecem" (Tom. ii., fol. 434, 480.). 

"A obra de Deus em nós é tanto boa quanto má" (Tom. ii., fol. 444.). 

"O corpo de Cristo está em todo lugar, nada mais que sua divindade" (Tom. iv., fol. 3;.). 

Então, pela sua doutrina da justificação pela fé, em seu décimo primeiro artigo contra o Papa leão, ele diz: 

"Creia o mais que puder, e serás absolvido, tenhas contrição ou não". 

Novamente, em seu sexto artigo: 

Pedro Chora Amargamente
"A contrição que é requerida pelo exame, reconhecimento e repulsa dos pecados de alguém, como forma do homem relembrar sua vida anterior, na amargura de ter sua alma refletindo sobre sua multidão de ofensas, a perda da vida eterna, e a condenação ao sofrimento eterno – esta contrição, eu vos digo, faz do homem um hipócrita, recusando o grande pecador que fora antes"

Sendo assim, após uma longa vida imoral, o homem possui um método de salvar a si mesmo pela simples crença que seus pecados serão apagados através dos méritos de Cristo. 

Como Lutero previa o escândalo que aconteceria pelo seu sacrílego matrimônio, ele preparou uma carta sobre isso, escrevendo contra o celibato do clero e todos os votos religiosos. E após isso, ele fez imitadores. 

Ele proclamou que todos os votos "são contrários à fé, aos mandamentos de Deus, e à liberdade evangélica" (De Votis Monast). 

Disse também: "Deus desaprova tais votos de vida continente" (Epist. ad Wolfgang Reisemb.), e novamente: "Atentar viver uma vida sem casamento, é atentar contra o plano de Deus"

Agora, quando o homem dá liberdade à sua natureza depravada, é de admirar a quantidade de escândalos que se seguem. Com isso, um exemplo deste tipo ocorreu. A Felipe de Hesse, em 1539, foi concedida a permissão de ter duas esposas ao mesmo tempo. Permissão dada por Lutero, Melanchthon, e cinco outros protestantes. 

Sendo assim, uma larga porta foi aberta para outras espécies de escândalos: a doutrina da reforma admite o divórcio em certos casos, contrário à doutrina do Evangelho, e mesmo permitindo às partes separadas casarem-se novamente. 

Enumerar os erros dos reformadores seria exceder aos limites deste escrito. Colocarei, portanto, somente as principais linhas da doutrina de Calvino e dos calvinistas: 

1. O batismo não é necessário para a salvação; 

2. Boas obras não são necessárias; 

O Homem não tem Livre Arbítrio
3. O homem não tem livre-arbítrio; 

4. Adão não pôde evitar sua queda; 

5. Grande parte da humanidade foi criada para a condenação eterna, independente dos seus deméritos; 

6. O homem é justificado somente pela fé, e esta justificação, uma vez obtida, não pode ser perdida, mesmo diante dos mais atrozes crimes; 

7. O verdadeiro crente está certo de sua salvação; 

8. A Eucaristia não é nada mais que uma figura do corpo e do sangue de Cristo; 

Desta forma todo o sistema de moralidade e fé foi contrariado. Aboliram totalmente a Tradição, e apesar de não poderem rejeitar toda a Escritura, universalmente conhecida como Palavra de Deus, eles tiveram, contudo, a presunção de retirar alguns livros que não se adequavam às suas doutrinas, e os demais fizeram das suas para se adequarem às suas opiniões. 

Com piedade de alma, eles prometiam retornar ao fervor do cristianismo primitivo. Aos orgulhosos, a liberdade do julgamento privado. Aos inimigos do clero, prometeram a divisão de seus bens. Aos padres e monges que se viam cansados da continência, a abolição da lei que, diziam eles, era contrária à natureza. Aos libertinos de todas as classes, o fim do jejum, da abstinência e da confissão. Diziam aos reis que quisessem se colocar como chefes da Igreja assim como eram chefes do Estado, que deveriam ser livres da autoridade espiritual da Igreja. Aos nobres, que deveriam ser emancipados de todos os formais e forçados serviços. 

Muitos príncipes da Alemanha e distritos suíços defenderam com armas os pregadores da nova doutrina. Henry VIII impôs sua doutrina sobre seus súditos. O Rei da Suécia direcionou seu povo a apostasia. A corte de Navarro recepcionou os calvinistas, a corte da França secretamente os favoreceu. 

O Papa Paulo III convocou o Concílio Geral de Trento, em 1545, ao qual os heresiarcas apelaram. Não somente todos os bispos católicos, mas todos os príncipes cristãos, mesmo protestantes, foram convidados a participar. 


Mas então o ESPÍRITO DO ORGULHO e da obstinação se mostrou mais aparente. Henrique VIII respondeu ao Papa que nunca confiaria o trabalho da reforma da igreja no reino a outro que não seja ele. O príncipe apóstata da Alemanha disse ao legado Papal que eles reconheciam somente o imperador como soberano. O vice-rei de Nápoles teve a autorização de quatro bispos para poder participar do Concílio. O rei da França enviou somente três prelados, logo depois chamados de volta. Carlos V criou empecilhos e dificuldades à sua ida. Gustavo Vasa não permitiu que ninguém fosse ao Concílio. Os heresiarcas também se negaram a comparecer. O Concílio, contudo, foi confirmado apesar destas dificuldades. Durou cerca de 18 anos, porque foi continuamente interrompido por pragas, guerras e pela morte dos que o presidiam. As doutrinas dos reformadores foram examinadas e condenadas pelo Concílio, na última sessão que contava com mais de 300 bispos presentes, entre os quais havia 9 cardeais, 3 patriarcas, 33 arcebispos, sem mencionar 16 priores e líderes de ordens religiosas, e 148 teólogos. Todos os decretos publicados desde o início foram relidos e novamente aprovados pelos Padres. Em conformidade, Pio IV, em um consistório ocorrido em 26 de janeiro de 1564, aprovou e confirmou o Concílio em um livro que foi assinado por todos os cardeais. Redigiu, no mesmo ano, uma profissão de fé em conformação com todas as definições do Concilio, no qual está declarado que sua autoridade é aceita, e desde aquela época, não somente todos os bispos da Igreja Católica, mas a todos os sacerdotes que são chamados a ensinar o caminho da salvação, mesmo às crianças, a todos os não-católicos, a abjurar seus erros, e retornar ao seio da Igreja, jurando não possuir outra fé que não aquela do santo Concílio. 

Os novos heresiarcas, entretanto, continuaram a obscurecer e desfigurar a face da religião. De acordo com os sentimentos de Lutero em relação ao Papa, bispos e Concílio, ele diz no prefácio de seu livro "De Abroganda Missa Privata": "Com tamanha força e com a maior evidência que as Escrituras possuem, eu não preciso fortalecer minha consciência no desafio solitário de contradizer o Papa e de crer que ele seja o anticristo, os bispos seus apóstolos, e suas universidades seus prostíbulos", e no livro "De Judicio Ecclesiae de Gravi Doctrinaele diz: "Cristo tomou dos bispos, doutores e Concílios o poder de julgar a justiça e as controvérsias, e o deu a todos os cristãos"

Sua censura ao Concílio de Constança, e a todos os que o compuseram, está no seguinte: "Todos os artigos de John Huss foram condenados em Constança pelo anticristo e seus apóstolos" (isto é, o Papa e os bispos), "Neste sínodo de satã, feito pelos mais tolos sofistas. E você, sagrado vigário de Cristo, digo à sua face, que todas as doutrinas de Huss são evangélicas e cristãs, mas todos vocês são ímpios e diabólicos. Eu agora declaro", diz ele, falando aos bispos, "que no futuro não irei concede-los a honra de submeter a mim ou a minha doutrina ao seu julgamento ou mesmo ao de um anjo vindo do céu" (prefácio ao seu livro Adversus falso nominatum ordinem Episcoporum). Tal era seu orgulho que fez uma declaração aberta de contestação à autoridade da Igreja, Concílios e Padres, dizendo: "A todos que aventurarão suas vidas, seus bens, sua honra, seu sangue, em um trabalho tão cristão de ceifar todos os bispados e bispos, que são ministros de satã, e extirpar todas as raízes de sua autoridade e jurisdição sobre o mundo, estes são verdadeiros filhos de Deus e obedecem a seus mandamentos" (Contra Statum Ecclesiae et falso nominatum ordinem Episcoporum). 

Este espírito de orgulho e obstinação é tão mais aparente pelo fato que o protestantismo nunca se envergonhou de fazer uso de qualquer argumento, mesmo que fortemente inconsistente ou absurdo que fosse, para defender seus erros e difamar a religião Católica de qualquer maneira possível. Isto explica as guerras que o protestantismo travou para infiltrar-se e manter-se. O príncipe apóstata da Alemanha aderiu a uma liga, ofensiva e defensiva, contra o imperador Carlos V, e levantou as armas para estabelecer o protestantismo. 

Lutero pregou sem autoridade, e ultrajou o imperador, os príncipes, e os bispos. Os camponeses não pensaram duas vezes em deixar seus mestres. Percorreram o país como bandos fora-da-lei destruindo castelos e mosteiros, e cometendo as maiores barbáries e crueldades com os nobres e o clero. A Alemanha se tornou o cenário da desolação e das mais cruéis atrocidades durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Mais de cem mil pessoas pereceram na guerra! Sete cidades foram desmanteladas, e milhares de casas religiosas foram destruídas. Trezentas igrejas e imensas riquezas em esculturas, pinturas, livros, etc., foram apagados da história. 

Mas o que é mais aparente e melhor visto no protestantismo do que o espírito de cobiça? Onde quer que pisassem o pé, pilhavam igrejas, tomavam as suas propriedades, destruíam mosteiros, e se apropriavam de seus rendimentos. 

Na França, os calvinistas destruíram milhares de igrejas Católicas. Assassinaram, somente em Dauphiné, 225 padres, 112 monges e derrubaram 900 torres e vilas! Na Inglaterra, Henrique vIII confiscou ao povo, ou distribuiu entre seus favoritos, as propriedades de 645 mosteiros e 90 escolas, 110 hospitais, e 2374 capelas! 

Eles ousaram profanar, com suas mãos sacrílegas, as relíquias dos mártires de Deus. Em muitos lugares eles tomaram à força os corpos dos santos dos responsórios onde jaziam, quebravam-nos e espalhavam suas cinzas pelo vento. Que maior atrocidade pode ser concebida? Os mais odiados infames foram tratados assim? Entre outros exemplos, em 1562, os calvinistas quebraram e abriram o túmulo de São Francisco de Paula, em Plessis-Lestours, e encontraram seu corpo incorrupto 25 anos após sua morte. Arrastaram-no pelo caminho, e jogaram-no na fogueira que haviam feito com a madeira da santa cruz, como Billet e outros historiadores revelam. 

Da mesma forma, em Lyon, no mesmo ano, os calvinistas apoderaram-se do túmulo de São Boaventura, retiraram seu vestuário e outros objetos, lançaram as relíquias do santo em um lugar movimentado, e lançaram suas cinzas no rio Saône, como foi relatado pelo autor Possevinus, que estava em Lyon nesta época. 

Também os corpos de Santo Irineu, Santo Hilário e São Martin, como afirma Surius, foram tratados da mesma infame forma. Também da mesma forma foram tratados os restos de São Tomás, arcebispo de Cantebury, cujos adornos do túmulo, de acordo com as palavras de Stowe, em seus anais, "Foram tomados para o uso do rei, e os ossos de São Tomás, por ordem do senhor Cromwell, foram queimados até as cinzas em setembro, 1538". 

A religião católica tem coberto o mundo com imponentes monumentos. O protestantismo tem agora cerca meio milênio. É forte na Inglaterra, Alemanha, América. O que ele tem feito? Isto mostrará as ruínas em que está estabelecido, por meio do qual ele tem plantado alguns jardins e criado algumas fábricas. A religião Católica é essencialmente uma força criativa, feita para construir, não para destruir, pois está sobre a contínua influência do Espírito Santo que a Igreja invoca como tal espírito criativo. O protestantismo, ou espírito filosófico moderno é um princípio de destruição, de perpétua decomposição e desunião. Soa a dominação da força protestante inglesa, por quatrocentos anos, a Irlanda rapidamente foi usurpada de seus antigos memoriais assim como a selvagem África. 

Os próprios reformadores estavam tão envergonhados com o progresso da imoralidade entre seus prosélitos, que não podiam mais manter o controle sobre eles. Sendo assim Lutero falou: "Os homens agora estão mais vingativos, cobiçosos e lascivos do que quando estavam sob o papado" (Postil. super Evang. Dom. i., Advent.). Novamente: "Antigamente, quando éramos seduzidos pelo Papa, todos os homens desejavam realizar boas obras, mas agora nenhum homem diz ou quer saber de nada mais que como conseguir tudo para si através de extorsões, pilhagens, assaltos, mentiras e usuras" (Postil. super Evang. Dom. xxvi., p. Trinit.). 

Calvino escreveu na mesma linha: "De tantos milhares", disse ele, "que, renunciando ao papado, buscaram ansiosamente abraçar o Evangelho, quão poucos melhoraram suas vidas! Não só isso, o que mais pretende a maior parcela, então, livrando-se do jugo da superstição, dar a si mesmos mais liberdade para seguir todas as formas de libertinagens?" (Liber de scandalis.). Dr. Heylin, em sua História da Reforma, lamenta-se acerca da "grande evolução da libertinagem" na Inglaterra, no reinado de Eduardo VI. 

Erasmo diz: "Vejam estas pessoas, os protestantes. Talvez esteja enganado, mas ainda não encontrei um que não pareça ter mudado para pior" (Epist. ad Vultur. Neoc.), e novamente "Alguns", diz ele, "que conheci aparentemente inocentes, humildes, e sem falsidades, tão logo entrando para estas seitas (os protestantes), começaram a falar com prostitutas, a jogar dados, a deixar as orações, tornaram-se extremamente mundanos, impacientes, vãos, como víboras, furiosos uns com os outros. Digo isso de experiência" ( Ep. ad Fratres Infer. Germanae.). 

M. Scherer, o diretor de uma escola protestante na França, escreveu em 1844, que observava em sua igreja reformada "a ruína da verdade, a fraqueza das infinitas divisões, a dispersão das ovelhas, a anarquia eclesial, pessoas envergonhadas de si mesmas, racionalismo disfarçado, sem doutrina, sem consistência. Esta igreja, depravada como sua corporação e seu caráter dogmático, pela sua forma e sua doutrina, depravada por todos que a constituíram igreja cristã, cessou de pertencer à comunidade de cristãos. Seu nome continua, mas ela representa somente uma cobertura, um fantasma, ou, se quiserem, uma memória ou esperança. Por desejar autoridade dogmática, a incredulidade fez seu caminho em três quartos de nossos pupilos" (L' Etat Actual deL'Eglise Reformée en France, 1844.). 

Assim tem sido o protestantismo desde o princípio. Tem sido escrito com sangue e fogo através da história. Tomando a forma de luteranismo na Alemanha e Suíça, Anglicanismo na Grã-Bretanha, ou Calvinismo e Presbiterianismo na Suécia, França, Holanda, Escócia e América, em qualquer lugar são os mesmos. Foi propagada pelo tumulto e violência, pela força e perseguição. Enriqueceu-se pelos saques e nunca cessou, pela força declarada, de perseguir ou de difamar, seus esforços em eliminar a Fé Católica, e destruir a Igreja de Cristo, os quais os pais do protestantismo deixaram pelo espírito de orgulho, luxúria e cobiça. Um espírito que induziu muitos dos seus conterrâneos a segui-los em seus maus exemplos. Um espírito que os fez perder, mesmo que dela não tivessem se apartado, a Única, Santa, Católica e Apostólica Igreja Romana. 

O principal espírito do protestantismo, então, sempre tem sido o de declarar o homem independente da autoridade divina da Igreja Católica Romana, e a substituir pela sua autoridade humana. O Papa Pio IX falou sobre o protestantismo, sob todas as suas formas como uma "Revolta contra Deus, com a intenção de substituir o humano pelo divino, uma declaração de independência da criatura do criador". "O verdadeiro protestante, portanto", diz Marshall, "não reconhece que Deus tem o direito de ensina-lo, ou, se ele reconhece esse direito, ele não se sente na necessidade de acreditar em tudo o que Deus ensina através daqueles que Ele apontou para ensinar a humanidade. Ele diz a Deus: ‘se me ensinares, reservo a mim o direito de examinar vossas palavras, a interpreta-las da forma que eu escolher, e admitir somente o que me parecer verdadeiro, consistente, e útil". Por essa razão Santo Agostinho disse: "Você, que acredita no que te agrada, e rejeita o que te desagrada, acredita mais em vós mesmos ou em vossa própria ilusão que nos Evangelhos". A fé do protestante, então, é baseada unicamente em seu julgamento pessoal, isto é humano. "Como seu julgamento é alterável", diz Marshall, "ele naturalmente sustenta que sua fé e doutrina são alteradas com a vontade, e, portanto, continuamente mutável. Evidentemente, então, ele não assegura que algo seja a verdade, pois a verdade não é mutável. Nem sustenta ser a Palavra de Deus, que ele é obrigado a obedecer, pois se a lei de Deus é alterado pela vontade, essa vontade é a de Deus, nunca a do homem, ou de nenhum homem, ou de nenhuma outra criatura de Deus". 
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Padre Muller foi um douto e heroico sacerdote redentorista ortodoxo do século 19. Seu livro "Catholic Dogma", do qual extraímos este artigo, que consta no terceiro capítulo, é uma excelente defesa de que "Extra Ecclesiam Nulla Salus". Como se podia esperar, o inglês do século 19 que ele emprega é diferente do que utilizam os leitores americanos nos nossos dias. Permanecemos fiéis ao original na pontuação e no uso arcaico. Apesar destas dificuldades, esta parte é uma polêmica católica clássica que ainda durará por muitos anos. 

Autor: Pe Michael Muller.


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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

FOTOS, IMAGENS E CHARGES



A Universidade de Wittenberg se tornou um centro de pesquisa astrológica no século XVI (ver Oestamann, 2003,32-5).















 E isso se deveu sobretudo a Philipp Melanchton (1497-1560), discípulo de Lutero.











Cipriano:


  "... dado que ambos batismos são apenas um, e que o Espírito Santo é um, e a Igreja fundada por Cristo Senhor Nosso  sobre Pedro, por fonte e princípio de unidade, é também única." Epist. 69, a Januarius, n. 3.




















A Igreja reclama urgentemente CATEQUISTAS BEM FORMADOS E CAPACITADOS.





IGREJA DE CRISTO - As portas do Inferno não poderão prevalecer contra ela.













Bem, já que perguntaram... A ‘Porta do Inferno’, monumental escultura produzida por Rodin, foi encomendada em 1880 para o Museu de Artes





MAIS DE 300.000...

●๋•jáŕbکőń●๋•: - "Unidade protestante!!!quando teve uma? DIVISÃO - (...) Segundo o consultor de igrejas o pastor americano Wayne Cordeiro, existe mais de 300 mil igrejas evangélicas nos Estados Unidos 




(1). Terrível é a incompatibilidade dogmática e o mau relacionamento entre os pastores."

CONVIDAMOS a todos para que participem das comunidades no ORKUT chamadas - "CONTRA AS MENTIRAS RELIGIOSAS" e "MUSEU DA MENTIRA"





"Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará" (São João 15,1).








Sessão de "cura" do pr 
Paulo Roberto
Perguntaram aos Evangélicos se conhecem pelo menos um pastor deles que tenha renunciado ao casamento por amor ao REINO DE DEUS... Ainda estamos esperando que alguém responda!

CASAL DE PASTORES "ADORANDO" DOIS
BONECOS DE OURO!!!!!


Eta baita incoerência!!!

Resposta a nossas perguntas:











Será que não estou errado, seguindo falsos pastores? Quem foi que os enviou? Certamente não foi Cristo!






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POSTAGEM ANTERIOR - Perseguidos por comunistas, muçulmanos, hinduístas, ateus e muitos outros:

HOJE OS CATÓLICOS SÃO MAIS PERSEGUIDOS QUE NOS TEMPOS DAS CATACUMBAS


Crescem vertiginosamente os esforços para erradicar do Ocidente a imagem de Deus e da verdadeira Religião; propagam-se no mundo inteiro a repulsa e a perseguição aos cristãos; os martírios atuais evocam e superam as perseguições da época das catacumbas.

Hélio Dias Viana

Muitos imaginavam que o diálogo inter-religioso preconizado pelo Concílio Vaticano II dissiparia para sempre — ou ao menos mitigaria enormemente — as perseguições religiosas e as guerras. Santo Agostinho afirma, contudo, que a origem dos conflitos e das catástrofes está no pecado. E, portanto, enquanto o mundo estiver entregue ao mal, não haverá a verdadeira paz — definida pelo grande Doutor da Igreja como “tranquilidade da ordem”.

Por essa mesma razão é que, apesar de Paulo VI, ecoando o espírito conciliar, ter proclamado na ONU há quase 50 anos (4-10-1965): “Jamais plus la guerre, jamais plus la guerre!” (“Nunca mais a guerra, nunca mais a guerra!”), os conflitos armados e as perseguições não fizeram senão aumentar de modo assustador.

Falando nos dias 2 e 3 de junho de 2011 em Budapeste, por ocasião de um congresso internacional organizado pela Hungria e pelo Conselho da União Europeia, o representante da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE), Massimo Introvigne, declarou: “A cada cinco minutos, um cristão é morto no mundo por causa de sua fé”. Ou seja, mais de 105 mil cristãos são assassinados anualmente por crerem em Jesus Cristo! E, de acordo com a associação Ajuda à Igreja que Sofre, 75% das vítimas das perseguições religiosas no mundo em 2010 foram cristãos.

Seguidores de Cristo: cidadãos de segunda classe?
D. Luigi Padovese foi assassinado a facadas na Turquia, em junho de 2010
A título exemplificativo, cuidaremos no presente artigo de algumas dessas perseguições, cujo fundo constitui o substrato de muitas das guerras, para que o leitor não perca de vista a existência deste terrível aspecto da realidade contemporânea, infelizmente pouco ressaltado pela mídia, à qual, entretanto, nunca falta espaço para coisas sem ou de muito menor importância.

Os próprios membros da Hierarquia eclesiástica continuam sendo vítimas da sanha persecutória muçulmana. Na Turquia, no dia 3 de junho de 2010, o Vigário Apostólico da Igreja Católica de Anatólia e Presidente da Conferência Episcopal da Turquia, D. Luigi Padovese, frade capuchinho de 63 anos, foi morto a facadas por seu motorista muçulmano. Este, depois de praticar o brutal assassinato, subiu a um telhado e gritou que havia matado “o grande satã”.

O corpo do Prelado foi despachado mais tarde como carga comum para a Itália, e a conjuntura (ou as injunções da perseguição laico-islâmica?) não permitiu que ele fosse objeto de uma cerimônia fúnebre que se aproximasse, de longe sequer, da concedida há alguns anos em Paris ao tristemente famoso Abbé Pierre, que não obstante ter-se declarado favorável ao concubinato para os padres, à ordenação de mulheres, às uniões homossexuais, entretanto foi homenageado com grande cortejo público e teve exéquias solenes na mítica Catedral de Notre-Dame.

Ainda na Turquia, quatro anos antes, em 2006, o Pe. Andrea Santoro fora assassinado a tiros em Trebisonda, nordeste do país. Talvez sem imaginar que análogo fim o aguardava, D. Luigi Padovese afirmou então que o assassinato do sacerdote não havia sido “uma casualidade”.

No Iraque, no atentado perpetrado em Bagdá no dia 31 de outubro de 2010, o alvo da Al-Qaeda foi a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Foram assassinados dois padres e 44 fiéis, além de 60 feridos. Morreram ainda sete membros das forças de segurança e cinco terroristas.

Com atuação em 60 países, Portes Ouvertes, uma ONG preocupada com a perseguição religiosa, publica desde o ano de 1997 o “Índice Mundial de Perseguição”, contendo a relação dos 50 países nos quais os cristãos são mais perseguidos. No conceito de perseguição adotado por ela inclui-se, além da violação do direito de praticar a religião, também o fato de na vida cotidiana alguém sofrer restrições por causa de sua fé.

Segundo essa organização, as perseguições não acontecem por acaso, mas são premeditadas. E desenvolvem-se através de diversas etapas, ao longo das quais os cristãos são tratados como cidadãos de segunda classe.

Ron Boy MacMillan, chefe do Departamento de Pesquisa e Estratégia da entidade, assim descreve as perseguições: “Existem quatro fontes de perseguição no mundo: o extremismo islâmico, a opressão comunista, o nacionalismo religioso e a intolerância laica. A mudança maior nos últimos trinta anos consistiu na substituição da opressão comunista pelo extremismo islâmico como perseguidor principal do cristianismo mundial. Mas as outras forças de opressão nem por isso diminuíram. A Coréia do Norte stalinista continua sendo o país onde as condições são as mais duras para um cristão, e a mais importante comunidade homogênea perseguida continua sendo a dos cristãos da China, onde o fato de falar sobre sua crença no exterior do edifício de uma igreja é estritamente proibido pela legislação chinesa...”.

Igreja de São Jorge é queimada no Egito, no acirramento da perseguição contra os cristãos
Cresce o ódio anticatólico em 2012
Na Somália, a lei islâmica Sharia castiga com morte por apedrejamento os convertidos ao cristianismo
A maior parte dessas perseguições é movida por sequazes do fanatismo muçulmano — indivíduos, grupos ou governos. Largamente tolerados no Ocidente, eles não admitem que em seus respectivos países alguém adore o verdadeiro Deus ou abrace a sua única Igreja — a católica — ou mesmo qualquer outra crença que não a islâmica. Fazê-lo é expor-se à morte.

Na Arábia Saudita, um dos maiores produtores mundiais de petróleo, o ódio anticristão — e em particular o anticatólico — é ferrenho. Existem documentários relatando os maus tratos recebidos por católicos filipinos que lá trabalhavam e que depois de sofrerem com suas famílias — inclusive filhos pequenos — pena de prisão por prática religiosa no interior de suas casas, foram severamente punidos e depois expulsos do país. Uma dessas vítimas ficou presa 18 meses e, entre outros maus tratos, recebeu 78 chibatadas!

Há ainda outros grupos sectários perseguidores de cristãos, como os hindus e budistas, que movem análoga perseguição por fanatismo religioso em alguns lugares da Índia, do Siri Lanka e da Birmânia, em escala menor devido às limitações de sua própria irradiação.

Segundo informação de 13 de janeiro de 2012 da “Agência Fides”, houve na Índia, no decurso de 2011, mais de dois mil casos de perseguições contra cristãos, a metade das quais no estado de Kanataka, sul do país. Outros estados citados são Orissa, Gujarat, Madhya Pradesh e Chhattisgarh.

Detalhando mais a informação — baseada no “Relatório 2011” do Fórum Católico Secular (CSF), organização ecumênica fundada por católicos indianos e apoiada pelo Cardeal Oswald Gracias, Arcebispo de Bombaim —, a “Agência Fides” noticia que o número de cristãos que sofreram agressões, ataques e perseguições elevou-se a 2.144, sem contar seus familiares, parentes e amigos, que constituem vítimas indiretas. Tal número foi levantado com base em denúncias recebidas ou repercutidas na imprensa. Estima-se, contudo, que ele pode ser até três vezes maior. Para 2012 está previsto um incremento nas perseguições exercidas por grupos extremistas hindus, as quais são referidas pelo Relatório como “vírus que infecta a sociedade”.

Ao ódio islâmico soma-se o ódio comunista
Na Nigéria, país africano onde tem sido mais feroz a ofensiva islâmica, o dirigente da Associação Cristã da Nigéria (CAN), Ayo Oritsejafor, declarou que os ataques atuais contra os cristãos lembram a guerra civil que causou mais de um milhão de mortos nos anos 60, e poderiam significar uma “limpeza” religiosa. Os líderes cristãos decidiram então definir os meios necessários para se defender em face dos numerosos assassinatos praticados pelos perseguidores anticristãos. “Temos o direito legítimo de nos defender [...], custe o que custar” – advertiu, sem precisar que medidas seriam tomadas.

Respondendo a essas declarações, Khalid Aliyu, secretário-geral da Jama’atu Nasril Ilsam (JNI), que agrupa as organizações muçulmanas da Nigéria, declarou cinicamente: “Consideramos essas declarações como uma intimidação e uma ameaça contra os muçulmanos nigerianos”.

Desde o Natal, seis ataques visaram os cristãos, acarretando mais de 80 mortos. A maioria das investidas foi reivindicada pelo movimento islâmico Boko Haram, que deseja impor a sharia (lei islâmica) ao conjunto do país, o mais populoso da África, com 160 milhões de habitantes, informa a AFP.

Importa também mencionar as contínuas perseguições feitas pelos regimes comunistas chinês, vietnamita e norte-coreano — para citar apenas estes — contra os seguidores da fé católica e de outros credos, em grau maior ou menor. Mas nestas perseguições, como nas demais que analisaremos a seguir, está presente um germe não existente nas anteriores, pelo menos de modo explícito: o do igualitarismo, que é a metafísica e a espinha dorsal do socialismo e do comunismo.

Quanto ao regime comunista cubano — velho de meio século, já martirizou milhares de católicos nas suas insalubres prisões e no tétrico paredón.

Nesse ódio, o papel do Ocidente ex-cristão
Católicos nigerianos mortos pela sua fé em dezembro de 2011
Mas, enquanto tais modalidades de perseguições são promovidas por pagãos e comunistas, existe uma outra que, apesar de não usar da mesma violência física, não é menos grave ou cogente. Ao contrário das primeiras, que muitas vezes geram mártires, ela faz apóstatas. Praticam-na governos, parlamentos, organizações internacionais e a mídia do próprio Ocidente outrora cristão, os quais fazem assim causa comum com comunistas e pagãos. Por meio de leis ímpias, de manifestações culturais blasfemas, de pressões favorecedoras de todo tipo de torpezas, além de outros meios, trabalham para alijar a religião e a moralidade da vida pública e privada, como também dos corações dos fiéis. Tudo em nome do laicismo de Estado!
Com uma agravante: enquanto nos países anteriormente citados a perseguição é praticada contra pessoas ou grupos de pessoas, no Ocidente ela se tem estendido até mesmo a nações. É o que está acontecendo no momento com a Hungria, ameaçada tenazmente por meio de uma curiosa frente inquisitorial comum, englobando a mídia, o governo Obama, a ONU e a União Europeia. Seu “crime”? Ter “ousado” aprovar uma constituição baseada, entre outras coisas, em alguns princípios cristãos, estabelecendo que casamento é somente entre homem e mulher, proibindo toda e qualquer forma de aborto, e remontando à formação católica da nação húngara a partir do glorioso Santo Estevão.

Aos atuais opositores da Hungria — com a qual quase ninguém se incomodava na época em que gemia opressa pelo comunismo — pouco lhes importa que os mais disparatados absurdos e violações da própria Lei natural continuem sendo hoje perpetrados impunemente pelo regime comunista e ateu da Coréia do Norte contra uma população famélica e escravizada até em seus sentimentos! Tampouco lhes importa minimamente o fato de televisões islâmicas fazerem emissões a países europeus e latino-americanos, incitando seus habitantes a aderir ao Alcorão e às suas derivações políticas. Só os indigna o fato de uma nação civilizada e soberana como a Hungria, adotar uma constituição baseada em preceitos do Evangelho para os quais a carta europeia atual voltou suas costas!

Também a Nigéria foi alvo da fúria do presidente norte-americano Barack Obama e do primeiro-ministro inglês David Cameron, que a recriminaram duramente e ameaçaram com sanções, pelo fato de naquele país africano, pobre em recursos materiais, mas rico em sanidade moral, terem sido aprovadas leis condenatórias de práticas homossexuais.

500 mil pessoas apoiam o governo húngaro nas ruas de Budapeste
Proibição de se rezar ao verdadeiro Deus
Sr. Jean Tremblay, perseguido por rezar antes do início das sessões na câmara municipal
Detenho-me mais no seguinte caso, ocorrido no Canadá, por constituir um exemplo típico de perseguição laica movida no Ocidente contra uma coletividade católica, da qual um dos representantes – o prefeito! – tem sabido reagir à altura. Poder-se-iam citar inúmeros outros.

No início de 2011, baseado em denúncia de um ateu e do Movimento Laico de Québec, um tribunal daquela província começou a perseguir o Sr. Jean Tremblay, católico praticante e prefeito da cidade de Saguenay, pelo fato de ele, respeitando a tradição local, rezar antes de cada sessão da câmara municipal. No dia 11 de fevereiro de 2011, festa de Nossa Senhora de Lourdes, o Tribunal dos Direitos da Pessoa condenou o prefeito a pagar 30 mil dólares canadenses (22 mil euros) e, sobretudo, a não mais fazer orações. O juiz exigiu ainda a retirada de uma imagem do Sagrado Coração de Jesus e do Crucifixo das salas onde se realizam as assembléias, em nome da “obrigação de neutralidade dos poderes públicos” e da “liberdade de consciência dos cidadãos”.

Determinado a não abandonar essa longa tradição, no dia 16 de fevereiro o prefeito lançou um apelo de donativos aos moradores de Saguenay — 150 mil habitantes — a fim de pagar a multa e poupar os cofres públicos. “Estou certo de que meus concidadãos são favoráveis a que se continue de pé e se façam respeitar os nossos valores”, declarou ele na Rádio Vila-Maria. Seu apelo foi logo atendido. Num gesto que equivale a um plebiscito, até o dia 1º. de março já haviam sido coletados mais de 100 mil dólares canadenses, ou 70 mil euros!

Numa conferência coletiva de imprensa, o Sr. Tremblay afirmou que “os governantes de Québec são particularmente sensíveis na defesa daquilo que constitui a nossa identidade”, estimando que sua posição reflete o desejo da maioria dos cidadãos, cujos 90% são católicos. Graças a esse apoio, ele está disposto a ir até o fim neste combate: “Não se pode deixar essas coisas acontecerem; é por isso que elas repercutem em todo o Québec. Imagine se cedêssemos. Essa gente vai fazer a lei por todas as partes: Tiram o crucifixo, tiram isto, mudam tal nome”.

A controvérsia ultrapassa as fronteiras de Saguenay, pois a sentença do Tribunal dos Direitos da Pessoa de Québec poderia vir a ser aplicada a todas as instituições públicas daquela província. Mas de tal modo o assunto pegou fogo, que Hugo d’Amours, porta-voz do primeiro-ministro Jean Charest, declarou no dia 15 de fevereiro ao jornal “Le Soleil”: “Não há nenhuma possibilidade de o governo retirar o crucifixo da Assembleia Nacional”, lembrando que “a Igreja exerceu um papel importante na história de Québec e que o crucifixo é um símbolo disso”. Diferentemente dele pensam os partidários agressivos e ateus do Movimento Laico de Québec, cuja porta-voz, Marie-Michelle Poisson, declarou que a decisão do Tribunal “poderia repercutir até na Assembleia Nacional, onde o crucifixo que ali domina é muito controverso”.

Perseguições piores que as do Império Romano
Instrumentos usados para executar abortos
Na China, no Iraque, na África do Norte e no Paquistão, de acordo com a organização americana West Walley High, o cristianismo é hoje a fé mais constante e violentamente perseguida. Após citar o Papa Bento XVI, segundo o qual “os cristãos são no momento atual o grupo religioso alvo do maior número de perseguições por causa de sua fé”, acrescenta que tudo isso se passa sob a indiferença quase geral.

À inoperância cúmplice da União Europeia, cujas resoluções contra as perseguições religiosas só ficam no papel, soma-se uma observação da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE), relativa à resolução conjunta dos 27 ministros das Relações Exteriores dos Estados membros sobre o mesmo tema: a de que, talvez por pressão das instituições europeias hostis ao cristianismo, alguns dos representantes desses Estados se recusam a fazer qualquer menção ao termo “cristão”.

Cumpre ainda lembrar que nos parlamentos e tribunais ocidentais, em oposição ao que sucede em países africanos, estão largamente em voga leis especiais de proteção da prática homossexual e de promoção do aborto (e de punição, até mesmo com cadeia, para os que a elas se opuserem). Tais leis constituem um nefando ato de Cristianofobia contra os que permanecem fiéis ao estabelecido no Decálogo.

Constituem também atos de Cristianofobia as leis que tornam passíveis de punição os pais que retiram seus filhos de escolas onde são ministradas aulas com base em kits e cartilhas, iniciando-os precocemente em toda sorte de perversão sexual e, portanto, aumentando a incidência do aborto e da Aids. Ou ainda, que médicos e enfermeiros, em clara violação da sua liberdade de consciência, sejam obrigados, sob pena de perder o emprego e outras, a praticar o aborto; farmacêuticos a vender contraceptivos e preservativos; e notários a realizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Na raiz das perseguições, o demônio
Deus pôs inimizade não apenas entre a Virgem e a serpente, mas também entre os descendentes espirituais de Maria e os de satanás.
Qual a razão profunda dessa sistemática perseguição aos cristãos e ao Cristianismo?

A tentativa de implantação no mundo do igualitarismo total — diametralmente oposto à ordem cristã, preceituada pelo Evangelho e pela doutrina católica — está dando lugar à maior perseguição jamais havida. Seu inspirador é o próprio Lúcifer, cuja revolta, segundo diversos teólogos, se teria dado quando ele teve conhecimento do futuro nascimento de Nossa Senhora, a obra-prima da criação, de natureza inferior à sua, mas que seria elevada pela graça acima de todos os anjos e deveria ser reverenciada por ele como Rainha.

Os sequazes de Lúcifer continuam a repetir através dos séculos sua exclamação iníqua: “Non serviam!” – Não servirei! (Jer 2,20). Cumprem eles assim o descrito no Gênesis, ao predizer que Deus poria inimizades não apenas entre a Virgem e a serpente, mas também entre os descendentes espirituais de Maria e os de satanás.

O igualitarismo total visa apagar — de preferência deformar — no coração e na mente dos homens, toda e qualquer imagem ou ideia de Deus, cuja glória e majestade infinitas estão espelhadas na obra da criação, de modo especial na boa organização da sociedade humana.

O ex-comunista francês Roger Garaudy — tornado mais tarde muçulmano — declarou que os comunistas ostentadores seu ateísmo utilizavam uma tática redondamente equivocada, pois a forma mais segura e eficaz para se apagar da sociedade a imagem de Deus não era para pregação explícita do ateísmo — a qual, ademais, produzia reações —, mas por meio da implantação do igualitarismo: este impediria a imagem divina de refletir-se através das miríades de criaturas desiguais.

Será que as afinidades igualitárias que prendiam até então Garaudy ao comunismo ele não as terá discernido depois como mais presentes e mais consistentes no Islamismo, que ele decididamente abraçou?

Isto levanta uma outra questão. O apoio da China e da Rússia ao Irã, bem como as simpatias e afinidades que em relação a eles nutre o progressismo católico — prenhe de sonhos igualitários para a Igreja e a sociedade civil — não constituiriam uma tríplice aliança com vistas à implantação da utopia igualitária no mundo inteiro? A quem quiser aprofundar-se no estudo deste tema recomendo a leitura do artigo de Luis Dufaur sobre as raízes e perigos do fundamentalismo maometano (vide Catolicismo, novembro/2001).

Seja como for, ante a escalada da Cristianofobia que pela cumplicidade dos governos e a apatia da opinião pública universal ensanguenta o mundo, brademos em uníssono com São Miguel Arcanjo “Quis ut Virgo?” (Quem como a Virgem?). Este brado é certamente o mais temido por Lúcifer e seus sequazes, por ser o que mais os humilha. Ao mesmo tempo, imploremos a poderosa e decisiva intervenção d’Aquela que “sozinha esmagou todas as heresias”! (Antífona da Virgem).

* * *

Todos esses fatos nos mostram como estamos revivendo as antigas perseguições do Império Romano pagão, só que muito mais extensas e perversas. Pois elas são movidas de um lado por pagãos que recusaram até o momento a conversão, e de outro lado por ex-cristãos que renunciaram à sua fé e querem eliminar do Ocidente toda imagem de Deus e da verdadeira Religião. Mas do mesmo modo como o Império Romano ruiu e nasceu a Civilização Cristã, também a presente situação acabará após os castigos purificadores previstos em 1917 por Nossa Senhora de Fátima e, em dado momento, surgirá o Reino de Maria por Ela prometido: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.

E-mail para o autor: catolicismo@terra.com.br
Crescem vertiginosamente os esforços para erradicar do Ocidente a imagem de Deus e da verdadeira Religião; propagam-se no mundo inteiro a repulsa e a perseguição aos cristãos; os martírios atuais evocam e superam as perseguições da época das catacumbas
Hélio Dias Viana
Muitos imaginavam que o diálogo inter-religioso preconizado pelo Concílio Vaticano II dissiparia para sempre — ou ao menos mitigaria enormemente — as perseguições religiosas e as guerras. Santo Agostinho afirma, contudo, que a origem dos conflitos e das catástrofes está no pecado. E, portanto, enquanto o mundo estiver entregue ao mal, não haverá a verdadeira paz — definida pelo grande Doutor da Igreja como“tranquilidade da ordem”.
Por essa mesma razão é que, apesar de Paulo VI, ecoando o espírito conciliar, ter proclamado na ONU há quase 50 anos (4-10-1965): “Jamais plus la guerre, jamais plus la guerre!” (“Nunca mais a guerra, nunca mais a guerra!”), os conflitos armados e as perseguições não fizeram senão aumentar de modo assustador.
Falando nos dias 2 e 3 de junho de 2011 em Budapeste, por ocasião de um congresso internacional organizado pela Hungria e pelo Conselho da União Europeia, o representante da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE), Massimo Introvigne, declarou: “A cada cinco minutos, um cristão é morto no mundo por causa de sua fé”. Ou seja, mais de 105 mil cristãos são assassinados anualmente por crerem em Jesus Cristo! E, de acordo com a associação Ajuda à Igreja que Sofre, 75% das vítimas das perseguições religiosas no mundo em 2010 foram cristãos.
Seguidores de Cristo: cidadãos de segunda classe?

D.  Luigi  Padovese  foi  assassinado a 
facadas na Turquia, em junho de 2010
A título exemplificativo, cuidaremos no presente artigo de algumas dessas perseguições, cujo fundo constitui o substrato de muitas das guerras, para que o leitor não perca de vista a existência deste terrível aspecto da realidade contemporânea, infelizmente pouco ressaltado pela mídia, à qual, entretanto, nunca falta espaço para coisas sem ou de muito menor importância.
Os próprios membros da Hierarquia eclesiástica continuam sendo vítimas da sanha persecutória muçulmana. Na Turquia, no dia 3 de junho de 2010, o Vigário Apostólico da Igreja Católica de Anatólia e Presidente da Conferência Episcopal da Turquia, D. Luigi Padovese, frade capuchinho de 63 anos, foi morto a facadas por seu motorista muçulmano. Este, depois de praticar o brutal assassinato, subiu a um telhado e gritou que havia matado “o grande satã”.
O corpo do Prelado foi despachado mais tarde como carga comum para a Itália, e a conjuntura (ou as injunções da perseguição laico-islâmica?) não permitiu que ele fosse objeto de uma cerimônia fúnebre que se aproximasse, de longe sequer, da concedida há alguns anos em Paris ao tristemente famoso Abbé Pierre, que não obstante ter-se declarado favorável ao concubinato para os padres, à ordenação de mulheres, às uniões homossexuais, entretanto foi homenageado com grande cortejo público e teve exéquias solenes na mítica Catedral de Notre-Dame.
Ainda na Turquia, quatro anos antes, em 2006, o Pe. Andrea Santoro fora assassinado a tiros em Trebisonda, nordeste do país. Talvez sem imaginar que análogo fim o aguardava, D. Luigi Padovese afirmou então que o assassinato do sacerdote não havia sido “uma casualidade”.
No Iraque, no atentado perpetrado em Bagdá no dia 31 de outubro de 2010, o alvo da Al-Qaeda foi a igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Foram assassinados dois padres e 44 fiéis, além de 60 feridos. Morreram ainda sete membros das forças de segurança e cinco terroristas.
Com atuação em 60 países, Portes Ouvertes, uma ONG preocupada com a perseguição religiosa, publica desde o ano de 1997 o “Índice Mundial de Perseguição”, contendo a relação dos 50 países nos quais os cristãos são mais perseguidos. No conceito de perseguição adotado por ela inclui-se, além da violação do direito de praticar a religião, também o fato de na vida cotidiana alguém sofrer restrições por causa de sua fé.
Segundo essa organização, as perseguições não acontecem por acaso, mas são premeditadas. E desenvolvem-se através de diversas etapas, ao longo das quais os cristãos são tratados como cidadãos de segunda classe.
Ron Boy MacMillan, chefe do Departamento de Pesquisa e Estratégia da entidade, assim descreve as perseguições: “Existem quatro fontes de perseguição no mundo: o extremismo islâmico, a opressão comunista, o nacionalismo religioso e a intolerância laica. A mudança maior nos últimos trinta anos consistiu na substituição da opressão comunista pelo extremismo islâmico como perseguidor principal do cristianismo mundial. Mas as outras forças de opressão nem por isso diminuíram. A Coréia do Norte stalinista continua sendo o país onde as condições são as mais duras para um cristão, e a mais importante comunidade homogênea perseguida continua sendo a dos cristãos da China, onde o fato de falar sobre sua crença no exterior do edifício de uma igreja é estritamente proibido pela legislação chinesa...”.
Igreja de São Jorge é queimada no Egito, no acirramento da perseguição contra os cristãos
Cresce o ódio anticatólico em 2012


Na Somália, a lei islâmica Sharia 

castiga com morte por apedrejamento 

os convertidos ao cristianismo
A maior parte dessas perseguições é movida por sequazes do fanatismo muçulmano — indivíduos, grupos ou governos. Largamente tolerados no Ocidente, eles não admitem que em seus respectivos países alguém adore o verdadeiro Deus ou abrace a sua única Igreja — a católica — ou mesmo qualquer outra crença que não a islâmica. Fazê-lo é expor-se à morte.
Na Arábia Saudita, um dos maiores produtores mundiais de petróleo, o ódio anticristão — e em particular o anticatólico — é ferrenho. Existem documentários relatando os maus tratos recebidos por católicos filipinos que lá trabalhavam e que depois de sofrerem com suas famílias — inclusive filhos pequenos — pena de prisão por prática religiosa no interior de suas casas, foram severamente punidos e depois expulsos do país. Uma dessas vítimas ficou presa 18 meses e, entre outros maus tratos, recebeu 78 chibatadas!
Há ainda outros grupos sectários perseguidores de cristãos, como os hindus e budistas, que movem análoga perseguição por fanatismo religioso em alguns lugares da Índia, do Siri Lanka e da Birmânia, em escala menor devido às limitações de sua própria irradiação.
Segundo informação de 13 de janeiro de 2012 da “Agência Fides”, houve na Índia, no decurso de 2011, mais de dois mil casos de perseguições contra cristãos, a metade das quais no estado de Kanataka, sul do país. Outros estados citados são Orissa, Gujarat, Madhya Pradesh e Chhattisgarh.
Detalhando mais a informação — baseada no “Relatório 2011” do Fórum Católico Secular (CSF), organização ecumênica fundada por católicos indianos e apoiada pelo Cardeal Oswald Gracias, Arcebispo de Bombaim —, a “Agência Fides” noticia que o número de cristãos que sofreram agressões, ataques e perseguições elevou-se a 2.144, sem contar seus familiares, parentes e amigos, que constituem vítimas indiretas. Tal número foi levantado com base em denúncias recebidas ou repercutidas na imprensa. Estima-se, contudo, que ele pode ser até três vezes maior. Para 2012 está previsto um incremento nas perseguições exercidas por grupos extremistas hindus, as quais são referidas pelo Relatório como “vírus que infecta a sociedade”.
Ao ódio islâmico soma-se o ódio comunista
Na Nigéria, país africano onde tem sido mais feroz a ofensiva islâmica, o dirigente da Associação Cristã da Nigéria (CAN), Ayo Oritsejafor, declarou que os ataques atuais contra os cristãos lembram a guerra civil que causou mais de um milhão de mortos nos anos 60, e poderiam significar uma “limpeza” religiosa. Os líderes cristãos decidiram então definir os meios necessários para se defender em face dos numerosos assassinatos praticados pelos perseguidores anticristãos. “Temos o direito legítimo de nos defender [...], custe o que custar” – advertiu, sem precisar que medidas seriam tomadas.
Respondendo a essas declarações, Khalid Aliyu, secretário-geral da Jama’atu Nasril Ilsam (JNI), que agrupa as organizações muçulmanas da Nigéria, declarou cinicamente: “Consideramos essas declarações como uma intimidação e uma ameaça contra os muçulmanos nigerianos”.
Desde o Natal, seis ataques visaram os cristãos, acarretando mais de 80 mortos. A maioria das investidas foi reivindicada pelo movimento islâmico Boko Haram, que deseja impor a sharia (lei islâmica) ao conjunto do país, o mais populoso da África, com 160 milhões de habitantes, informa a AFP.
Importa também mencionar as contínuas perseguições feitas pelos regimes comunistas chinês, vietnamita e norte-coreano — para citar apenas estes — contra os seguidores da fé católica e de outros credos, em grau maior ou menor. Mas nestas perseguições, como nas demais que analisaremos a seguir, está presente um germe não existente nas anteriores, pelo menos de modo explícito: o do igualitarismo, que é a metafísica e a espinha dorsal do socialismo e do comunismo.
Quanto ao regime comunista cubano — velho de meio século, já martirizou milhares de católicos nas suas insalubres prisões e no tétrico paredón.
Nesse ódio, o papel do Ocidente ex-cristão
Mas, enquanto tais modalidades de perseguições são promovidas por pagãos e comunistas, existe uma outra que, apesar de não usar da mesma violência física, não é menos grave ou cogente. Ao contrário das primeiras, que muitas vezes geram mártires, ela faz apóstatas. Praticam-na governos, parlamentos, organizações internacionais e a mídia do próprio Ocidente outrora cristão, os quais fazem assim causa comum com comunistas e pagãos. Por meio de leis ímpias, de manifestações culturais blasfemas, de pressões favorecedoras de todo tipo de torpezas, além de outros meios, trabalham para alijar a religião e a moralidade da vida pública e privada, como também dos corações dos fiéis. Tudo em nome do laicismo de Estado!


Católicos nigerianos mortos pela sua 

fé em dezembro de 2011
Com uma agravante: enquanto nos países anteriormente citados a perseguição é praticada contra pessoas ou grupos de pessoas, no Ocidente ela se tem estendido até mesmo a nações. É o que está acontecendo no momento com a Hungria, ameaçada tenazmente por meio de uma curiosa frente inquisitorial comum, englobando a mídia, o governo Obama, a ONU e a União Europeia. Seu “crime”? Ter “ousado” aprovar uma constituição baseada, entre outras coisas, em alguns princípios cristãos, estabelecendo que casamento é somente entre homem e mulher, proibindo toda e qualquer forma de aborto, e remontando à formação católica da nação húngara a partir do glorioso Santo Estevão.
Aos atuais opositores da Hungria — com a qual quase ninguém se incomodava na época em que gemia opressa pelo comunismo — pouco lhes importa que os mais disparatados absurdos e violações da própria Lei natural continuem sendo hoje perpetrados impunemente pelo regime comunista e ateu da Coréia do Norte contra uma população famélica e escravizada até em seus sentimentos! Tampouco lhes importa minimamente o fato de televisões islâmicas fazerem emissões a países europeus e latino-americanos, incitando seus habitantes a aderir ao Alcorão e às suas derivações políticas. Só os indigna o fato de uma nação civilizada e soberana como a Hungria, adotar uma constituição baseada em preceitos do Evangelho para os quais a carta europeia atual voltou suas costas!
Também a Nigéria foi alvo da fúria do presidente norte-americano Barack Obama e do primeiro-ministro inglês David Cameron, que a recriminaram duramente e ameaçaram com sanções, pelo fato de naquele país africano, pobre em recursos materiais, mas rico em sanidade moral, terem sido aprovadas leis condenatórias de práticas homossexuais.
500 mil pessoas apoiam o governo húngaro nas ruas de Budapeste
Proibição de se rezar ao verdadeiro Deus
Detenho-me mais no seguinte caso, ocorrido no Canadá, por constituir um exemplo típico de perseguição laica movida no Ocidente contra uma coletividade católica, da qual um dos representantes – o prefeito! – tem sabido reagir à altura. Poder-se-iam citar inúmeros outros.
Sr. Jean Tremblay, 

perseguido por rezar 

antes do início das 

sessões na câmara 
municipal
No início de 2011, baseado em denúncia de um ateu e do Movimento Laico de Québec, um tribunal daquela província começou a perseguir o Sr. Jean Tremblay, católico praticante e prefeito da cidade de Saguenay, pelo fato de ele, respeitando a tradição local, rezar antes de cada sessão da câmara municipal. No dia 11 de fevereiro de 2011, festa de Nossa Senhora de Lourdes, o Tribunal dos Direitos da Pessoa condenou o prefeito a pagar 30 mil dólares canadenses (22 mil euros) e, sobretudo, a não mais fazer orações. O juiz exigiu ainda a retirada de uma imagem do Sagrado Coração de Jesus e do Crucifixo das salas onde se realizam as assembléias, em nome da “obrigação de neutralidade dos poderes públicos” e da “liberdade de consciência dos cidadãos”.
Determinado a não abandonar essa longa tradição, no dia 16 de fevereiro o prefeito lançou um apelo de donativos aos moradores de Saguenay — 150 mil habitantes — a fim de pagar a multa e poupar os cofres públicos. “Estou certo de que meus concidadãos são favoráveis a que se continue de pé e se façam respeitar os nossos valores”, declarou ele na Rádio Vila-Maria. Seu apelo foi logo atendido. Num gesto que equivale a um plebiscito, até o dia 1º. de março já haviam sido coletados mais de 100 mil dólares canadenses, ou 70 mil euros!
Numa conferência coletiva de imprensa, o Sr. Tremblay afirmou que “os governantes de Québec são particularmente sensíveis na defesa daquilo que constitui a nossa identidade”, estimando que sua posição reflete o desejo da maioria dos cidadãos, cujos 90% são católicos. Graças a esse apoio, ele está disposto a ir até o fim neste combate: “Não se pode deixar essas coisas acontecerem; é por isso que elas repercutem em todo o Québec. Imagine se cedêssemos. Essa gente vai fazer a lei por todas as partes: Tiram o crucifixo, tiram isto, mudam tal nome”.
A controvérsia ultrapassa as fronteiras de Saguenay, pois a sentença do Tribunal dos Direitos da Pessoa de Québec poderia vir a ser aplicada a todas as instituições públicas daquela província. Mas de tal modo o assunto pegou fogo, que Hugo d’Amours, porta-voz do primeiro-ministro Jean Charest, declarou no dia 15 de fevereiro ao jornal “Le Soleil”: “Não há nenhuma possibilidade de o governo retirar o crucifixo da Assembleia Nacional”, lembrando que “a Igreja exerceu um papel importante na história de Québec e que o crucifixo é um símbolo disso”. Diferentemente dele pensam os partidários agressivos e ateus do Movimento Laico de Québec, cuja porta-voz, Marie-Michelle Poisson, declarou que a decisão do Tribunal “poderia repercutir até na Assembleia Nacional, onde o crucifixo que ali domina é muito controverso”.
Perseguições piores que as do Império Romano
Instrumentos usados para 
executar abortos

Na China, no Iraque, na África do Norte e no Paquistão, de acordo com a organização americana West Walley High, o cristianismo é hoje a fé mais constante e violentamente perseguida. Após citar o Papa Bento XVI, segundo o qual “os cristãos são no momento atual o grupo religioso alvo do maior número de perseguições por causa de sua fé”, acrescenta que tudo isso se passa sob a indiferença quase geral.
À inoperância cúmplice da União Europeia, cujas resoluções contra as perseguições religiosas só ficam no papel, soma-se uma observação da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia(COMECE), relativa à resolução conjunta dos 27 ministros das Relações Exteriores dos Estados membros sobre o mesmo tema: a de que, talvez por pressão das instituições europeias hostis ao cristianismo, alguns dos representantes desses Estados se recusam a fazer qualquer menção ao termo “cristão”.
Cumpre ainda lembrar que nos parlamentos e tribunais ocidentais, em oposição ao que sucede em países africanos, estão largamente em voga leis especiais de proteção da prática homossexual e de promoção do aborto (e de punição, até mesmo com cadeia, para os que a elas se opuserem). Tais leis constituem um nefando ato de Cristianofobia contra os que permanecem fiéis ao estabelecido no Decálogo.
Constituem também atos de Cristianofobia as leis que tornam passíveis de punição os pais que retiram seus filhos de escolas onde são ministradas aulas com base em kits e cartilhas, iniciando-os precocemente em toda sorte de perversão sexual e, portanto, aumentando a incidência do aborto e da Aids. Ou ainda, que médicos e enfermeiros, em clara violação da sua liberdade de consciência, sejam obrigados, sob pena de perder o emprego e outras, a praticar o aborto; farmacêuticos a vender contraceptivos e preservativos; e notários a realizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Na raiz das perseguições, o demônio
Qual a razão profunda dessa sistemática perseguição aos cristãos e ao Cristianismo?
A tentativa de implantação no mundo do igualitarismo total — diametralmente oposto à ordem cristã, preceituada pelo Evangelho e pela doutrina católica — está dando lugar à maior perseguição jamais havida. Seu inspirador é o próprio Lúcifer, cuja revolta, segundo diversos teólogos, se teria dado quando ele teve conhecimento do futuro nascimento de Nossa Senhora, a obra-prima da criação, de natureza inferior à sua, mas que seria elevada pela graça acima de todos os anjos e deveria ser reverenciada por ele como Rainha.
Deus pôs inimizade não apenas entre a Virgem 
e a serpente, mas também entre os descendentes 
espirituais de Maria e os de satanás.

Os sequazes de Lúcifer continuam a repetir através dos séculos sua exclamação iníqua: “Non serviam!” – Não servirei! (Jer 2,20). Cumprem eles assim o descrito no Gênesis, ao predizer que Deus poria inimizades não apenas entre a Virgem e a serpente, mas também entre os descendentes espirituais de Maria e os de satanás.
O igualitarismo total visa apagar — de preferência deformar — no coração e na mente dos homens, toda e qualquer imagem ou ideia de Deus, cuja glória e majestade infinitas estão espelhadas na obra da criação, de modo especial na boa organização da sociedade humana.
O ex-comunista francês Roger Garaudy — tornado mais tarde muçulmano — declarou que os comunistas ostentadores seu ateísmo utilizavam uma tática redondamente equivocada, pois a forma mais segura e eficaz para se apagar da sociedade a imagem de Deus não era para pregação explícita do ateísmo — a qual, ademais, produzia reações —, mas por meio da implantação do igualitarismo: este impediria a imagem divina de refletir-se através das miríades de criaturas desiguais.
Será que as afinidades igualitárias que prendiam até então Garaudy ao comunismo ele não as terá discernido depois como mais presentes e mais consistentes no Islamismo, que ele decididamente abraçou?
Isto levanta uma outra questão. O apoio da China e da Rússia ao Irã, bem como as simpatias e afinidades que em relação a eles nutre o progressismo católico — prenhe de sonhos igualitários para a Igreja e a sociedade civil — não constituiriam uma tríplice aliança com vistas à implantação da utopia igualitária no mundo inteiro? A quem quiser aprofundar-se no estudo deste tema recomendo a leitura do artigo de Luis Dufaur sobre as raízes e perigos do fundamentalismo maometano (vide Catolicismo, novembro/2001).
Seja como for, ante a escalada da Cristianofobia que pela cumplicidade dos governos e a apatia da opinião pública universal ensanguenta o mundo, brademos em uníssono com São Miguel Arcanjo “Quis ut Virgo?” (Quem como a Virgem?). Este brado é certamente o mais temido por Lúcifer e seus sequazes, por ser o que mais os humilha. Ao mesmo tempo, imploremos a poderosa e decisiva intervenção d’Aquela que“sozinha esmagou todas as heresias”! (Antífona da Virgem).
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Todos esses fatos nos mostram como estamos revivendo as antigas perseguições do Império Romano pagão, só que muito mais extensas e perversas. Pois elas são movidas de um lado por pagãos que recusaram até o momento a conversão, e de outro lado por ex-cristãos que renunciaram à sua fé e querem eliminar do Ocidente toda imagem de Deus e da verdadeira Religião. Mas do mesmo modo como o Império Romano ruiu e nasceu a Civilização Cristã, também a presente situação acabará após os castigos purificadores previstos em 1917 por Nossa Senhora de Fátima e, em dado momento, surgirá o Reino de Maria por Ela prometido: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.